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São Paulo: Congresso discute a Eletrotermofototerapia
Publicado/Atualizado em 23/5/2007 14:22:34


Os desafios e as alternativas de atuação dos profissionais de fisioterapia da eletrotermofototerapia pautaram as discussões do III Congresso sobre o tema, realizado em São Paulo nos dias 18 e 19 deste mês. Cerca de 300 pessoas - entre profissionais, acadêmicos da área e pesquisadores - participaram do evento. Os debates foram realizados no campus do Centro Universitário São Camilo e o presidente do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), Dr. Euclides Poubel e Silva, fez a apresentação de abertura do evento como convidado especial.

A abertura do evento contou também com a participação da coordenadora do curso de fisioterapia do Centro Universitário São Camilo, Patrícia Horta. Segundo ela, o trabalho nesta área depende principalmente de conceitos bem estudados e aplicados, além de critérios na sua utilização para a garantia de bem estar aos pacientes.

A eletroterapia baseia-se em procedimentos através de aparelhos geradores de sinais elétricos, como o Ultra-som Terapêutico e o Laser, que buscam facilitar a recuperação de estruturas e funções comprometidas. 

A chefe do setor de fisioterapia da Santa Casa de São Paulo, Nilza Carvalho falou do trabalho de 15 anos deste setor na Santa Casa, que hoje conta com três cursos de especialidades ortopédicas, neurológicas e respiratórias. Ela parabenizou a organização do evento e lembrou que a instituição sediou as duas primeiras edições do Congresso.

Durante a abertura, o presidente do Coffito procurou despertar nos presentes a “importância de se apaixonar a cada dia pela a profissão”. Ao lembrar que hoje o mercado de trabalho da fisioterapia peca ao não valorizar e remunerar da forma merecida o profissional, Dr. Euclides expôs alguns itens que podem levar estes profissionais ao insucesso. Entre essas peculiaridades citou o fato de que muitos profissionais fazem o curso, porém desconhecem a realidade do mercado de trabalho, e por isso ocorrem certas frustrações no decorrer no desempenho profissional. Ele comentou ainda que o desejo em ter seu próprio negócio faz, muitas vezes, com que o profissional esqueça o compromisso com a saúde e a transforme em uma mercadoria “Saúde não e negócio”, afirma ele.

Com um trecho do consultor e professor Álvaro Melo, incentivou os presentes a se tornarem “empreendedores”. E lembrou que isso não significa audácia, mas sim um conjunto de hábitos que podem ser reforçados a cada momento.

Convênio Coffito e Inmetro 

Ao concluir sua exposição, o presidente do Coffito anunciou o convênio firmado recentemente entre o Coffito e o laboratório de ultra-som da divisão acústica do Inmetro. Segundo ele, a parceria está em fase de finalização e vai permitir a fiscalização de equipamentos nas clínicas fisioterapeutas “Esse tem sido um problema muito sério e esta parceria nos ajudará a oferecer à sociedade o que eles esperam em termos de controle e fiscalização da fisioterapia”, explica o Presidente.


A Eletrotermofototerapia

Nos dois dias de debate e apresentações, os participantes conheceram um pouco mais sobre a utilização da eletrotermofoterapia. As apresentações começaram com o professor Dr. Tiago Fukuda, coordenador do evento. Ele afirmou a importância de receberem no evento - um dos únicos do país que debate sobre o tema - participantes de excelente nível profissional que, segundo ele, estabeleceram também o nível de debate do evento. “Hoje, quem trabalha nesta área no país tem ótimos resultados. O profissional precisa ter consciência de que a prática clínica em eletro é fundamental, pois sabemos que há muitos profissionais que utilizam essas técnicas de maneira equivocada, representando um perigo para os pacientes.”, alertou Fukuda.

Organizador das duas edições anteriores do evento, ele apontou como diferencial da terceira edição a mudança de local, antes a Santa Casa. Com a realização no campus da Universidade, foi possível ter um número maior de participantes. Para Fukuda, isso demonstra que o evento vem crescendo a cada ano. Eles pretendem, através do evento, despertar a vontade de conhecer novas áreas de aplicação da eletroterapia e, dessa forma, utilizar os parâmetros corretos para conseguir os melhores resultados terapêuticos.

“A eletroterapia é o carro chefe da fisioterapia hoje na área de pesquisas. Por isso a importância de passar aos profissionais novos conhecimentos para garantir o bem estar dos pacientes”, explica Dr. Fukuda, afirmando que a organização já pensa o 4° Congresso no próximo ano, com a expectativa de que ele seja ainda melhor.

Debates

Uma das mesas de debate do Congresso discutiu o que é importante na aplicação do laser. O mediador desse debate foi o professor Hélio Plapler, presidente da Sociedade Brasileira de Laser e chefe da Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da Universidade Federal de São Paulo. Os debatedores dessa mesa foram o Dr. Nilvaldo Parizoto, Dr. Ricardo Guerra e o Dr. Oscar Ronzío.

Para o mediador do debate, Dr Hélio Plapler, o mais importante a ser observado ao utilizar esta técnica é o laser de baixa potência. “É complicado porque não existem parâmetros já determinados para a utilização dess equipamento em cada tecido. Então, a grande briga refere-se a dosimetria. Tentar achar os melhores parâmetros para serem utilizados em diferentes tecidos”.

O cuidado dos profissionais em relação a dosimetria deve ser, segundo ele, para que cada profissional conheça cada tipo de tecido, pois o êxito da aplicação dependerá do tipo de aparelho e do conhecimento que o profissional tem da ação deste aparelho sobre determinado tecido. “Para ele, determinar o parâmetro que ele poderá utilizar é o principal”, concluiu Dr. Hélio, parabenizando o nível dos debates. “Quem pôde participar teve um proveito muito grande”.

Apresentações

O Dr. Richard Liebano foi um dos palestrantes do evento com o trabalho referente à estimulação por correntes elétricas em feridas, apresentando os benefícios dessa utilização no auxílio da cicatrização de feridas. “Aquelas feridas difíceis de cicatrizar como as venosas, onde o paciente desenvolve ulceração, e isto muitas vezes demora anos, ou em alguns casos, nem chega a cicatrizar. Um exemplo são as feridas diabéticas e as úlceras por pressão.”, explicou Liebano.

Ele destaca que no Brasil já se trabalha há muito tempo com laser de baixa potência, diferente de países como os Estados Unidos onde, até quatro anos atrás, não existia a aprovação legal para uso em pacientes. Lá , a experiência é em corrente elétrica por ultra-som e outros recursos físicos. “Minha contribuição foi justamente mostrar que existe mais uma possibilidade, além do laser, para cicatrização em feridas. Porém , é preciso cuidados com relação à dose da corrente; trabalhamos na base de micro-ampéres. Intensidades altas podem causar queimaduras e prejudicar ainda mais as feridas”, lembra ele.

Outro perigo, segundo Richard, é o de causar infecção cruzada, pois os eletrodos devem ser muito bem limpos na hora de aplicar em diferentes tipos de pacientes.

Ao avaliar o evento, ele falou da sua formação na área e lembrou a importância do Congresso, um dos únicos no país sobre o tema.  “É uma possibilidade que temos de discutir melhor os parâmetros e os efeitos fisiológicos e terapêuticos destes aparelhos, uma vez que existe muita controvérsia e falta fundamentação aos profissionais. É uma oportunidade que temos de trocar informações com colegas que trabalham e pesquisam nesta área.”

De acordo com Dr. Richard, a aceitação do tema entre os fisioterapeutas é boa em geral, mas ele critica a utilização de maneira indiscriminada da eletroterapia em muitas clinicas. “Acabam usando em todos os pacientes e isto não é o mais adequado. Falta um aprofundamento maior desses conhecimentos nos profissionais. É necessário um cuidado muito grande sobre o uso dos aparelhos, normas técnicas e dosimetria”, enfatizou.

Terapia por campos magnéticos

O fisioterapeuta argentino Oscar Ronzío foi o convidado internacional do evento. O professor e pesquisador de Eletrotermofototrerapia falou, em uma de suas apresentações, sobre a terapia por campos magnéticos e seus benefícios. O fundamental, segundo ele, são os benefícios dessa aplicação para pessoas idosas, em cicatrização e regeneração de tecidos ósseos.

No Brasil não há aparelhos para campos magnéticos, já na Argentina, desde 1978, se trabalha com a técnica. Segundo Ronzío, ela pode ser utilizada em patologias agudas e não tem contra-indicações. Ele é membro da Sociedade Argentina de Fisioterapia, uma entidade que, segundo ele, ainda não possui a organização da entidade no Brasil, mas reúne cerca de 900 profissionais que estudam e pesquisam sobre a eletrotermofototerapia.

Os avanços da entidade têm sido lento, segundo ele, pela falta de recursos. E ainda de acordo com o argentino, a quantidade de profissionais que integram a sociedade não é maior pela falta de interesse pelo tema, e necessidade constante de aperfeiçoar os conhecimentos nesta área. 


Agência Coffito 

 



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